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CARTA DE DESPEDIDA

Lágrimas de Saudades

                      

                       Estimados amigos e demais colegas,

 

 

                   Ingressei no Departamento de Polícia Federal ainda, muito jovem, com apenas 21 (vinte e um) anos de idade, e agora, passados exatamente o mesmo tempo de efetivo exercício, no cumprimento do dever, me despeço de todos em razão da tão sonhada aposentadoria, onde dias e noites tanto me angustiavam.

 

                   No decorrer desse tempo, adquiri a maturidade e os conhecimentos necessários, para dedicar o meu melhor, como ser humano e como profissional, em nome da instituição a qual sempre servi com orgulho, e cumprindo com zelo e probidade o juramento realizado de sempre servir à família, à sociedade e a Nação, se necessário com o sacrifício da própria vida.

 

                   Confesso que durante a passagem por essa escola vivi momentos desagradáveis, passei fome mesmo com dinheiro no bolso, senti sede, atirei quando necessário, me abriguei para salvar a própria vida, derramei suor e perdi noites de sono, mas a maior parte do tempo foram momentos de alegria e cordialidade, de aprendizado mútuo com os demais colegas, onde pude realizar o desenvolvimento dos sentidos e depuração dos instintos que um bom policial deve ter, fortifiquei minha maturidade pessoal e profissional, desenvolvi uma maior paciência, fortaleci os laços de união e companheirismo, e, acima de tudo, procurei atuar como verdadeiro conciliador em momentos de desavenças.

 

                   Sempre busquei manter a retidão de conduta e a honestidade, primeiramente para comigo mesmo e minha consciência, junto aos meus pares, superiores e eventuais subordinados. Pois, tais valores, trago comigo originariamente do berço, nos ensinamentos familiares e na fé cristã, valores estes que banco de faculdade ou academia alguma, jamais, terá o condão de desfazê-los.

 

                   Durante minha breve estada nesta briosa instituição, dediquei-me sempre a agir como fiel guardião da Lei, e, por dever do ofício, pautei-me pela legalidade dos atos praticados e justeza nas decisões tomadas.

 

                   Erros? Sim, pois fazem parte da vida. Talvez, em algum momento posso tê-los cometido, por desconhecimento, imaturidade ou por tentar sempre me esforçar para dar o melhor de mim mesmo em favor da instituição e da sociedade.

 

                   Fato é que, somente àqueles que realmente trabalham e sabem o que é a atividade policial estão sujeitos aos erros tão duramente criticados e aos acertos, quase sempre, esquecidos. Mas, creio que meus acertos superaram as falhas, e por essa razão, saio de cabeça erguida e com a consciência tranquila da mesma forma que ingressei nessa zelosa instituição.

 

                   Ao longo de minha estada procurei afastar-me do orgulho, me despí de vaidades e neguei-me a prática de bajulações em busca de qualquer tipo de favorecimento ou vantagem. Ao revés, sempre atuei com lealdade e fidalguia ao órgão me proporcionou obter o sustento do meu lar, me conferiu status e referencia social, agregou-me conhecimentos de vida e maturidade, além da conquista do respeito e confiança que me foram depositados pelas muitas e muitas amizades verdadeiras que fiz e as levarei comigo para sempre ao longo de minha existência nesse plano terreno.

 

                   Rogo, que o Senhor Deus do coração de cada um dos eternos guerreiros, sejam servidores administrativos, policiais ou terceirizados, que fazem crescer o nome desta honrosa instituição, procurem mantê-la sempre firme e forte, como uma família que possui problemas, mas sempre busca se reconciliar, a fim de manter a credibilidade e o respeito perante a sociedade que juramos servir, sugerindo, nessa oportunidade, aos que ficam no aguardo de seu momento de descanço, independentemente do cargo ou função ocupada, que procurem se unir cada vez mais numa busca efetiva de novas, maiores e melhores conquistas para a nossa gloriosa, hoje e sempre Policial Federal.

 

                   Vou encerrando por aqui, ao passo em que confesso, que é com lágrimas nos olhos que faço esta carta de despedida, pedindo humildemente perdão àqueles que eventualmente eu os tenha ofendido, ao passo em que me ponho sempre à disposição de qualquer um que esteja necessitando de ajuda e ao meu alcance de auxiliar.

 

                   Agora, me despeço fraternalmente, com um caloroso, firme e forte abraço à todos. Desejando muita saúde, sucesso e Paz.

 

Fortaleza (CE), 14 de novembro de 2017.

  

Paulo Roberto de Lima CARVALHO

 Agente de Policia Federal Aposentado

 

 

 

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